Biografia

espetáculo “Buquê”

 

 

 

 

Laura Virgínia (Brasil, 1970)
é coreógrafa, é diretora e videodancemaker e escritora.
com uma vasta produção multimídia. É doutoranda em Artes pela UnB, Universidade de Brasília e pesquisadora no CDPDan – Coletivo de Documentação e Pesquisa em Dança Eros Volúsia CnPQ/CEN/UnB. É coreógrafa residente da Margaridas Companhia de Dança, (Brasil, 2004), em suas obras.
youtube.com/lvmargaridas
artesdelaurav.wordpress.com
margaridasdanca.wordpress.com

Laura Virgínia é artista de dança há vinte anos com uma vasta produção multimídia. É doutoranda em Artes pela UnB, Universidade de Brasília. É coreógrafa residente do Margaridas Cia de Dança desde 2004 realizando obras de videodança e espetáculos . Fez com professor de cinema e jornalista Sergio Moriconi uma grande série de oficinas de roteiro e análise fílmica (1998/2001). Realizou os videodanças: De água nem tão doce (2006), Retina (2009) e Abs8- S3 – x0, eixo monumental dos prazeres, saída sorte (2011). Desde 2000, trabalha em parceria com a artista plástica Gisel Carriconde Azevedo em trabalhos de intervenção urbana e videoartes: Pela estrada afora eu vou bem sozinha, Vitrais e Um teto Todo Seu. Foi contemplada com a bolsa FUNARTE de residência em artes cênicas (2010), em Londres, Lisboa e Brasília realizou quatro videodanças em co-criação com artistas nacionais e internacionais – a série Pequenas Criaturas. É pesquisadora no CDPDan – Coletivo de Documentação e Pesquisa em Dança Eros Volúsia CEN/UnB. Participou com sua obra na exposição  participou da exposição “Installation and Theatricality”  em Londres e “Object Oriented” em Brasília, onde  lançou seu primeiro livro “Buquê” em 2006. Seus trabalhos foram apresentados e estão em arquivos de eventos internacionais e nacionais em constante exibição.

Memorial
Eu sou Laura Virgínia! Nasci em Belém do Pará, onde um baile fez unir minha mãe piauiense e meu pai paraense, verdadeiros “pés de valsa”. Essa união trouxe-me as raízes brasileiras e estrangeiras que compõem meu corpo: negra, índia, portuguesa e espanhola. Meu pai era funcionário público do Banco do Brasil e jornalista e minha mãe, enfermeira sanitarista. Ambos tinham uma paixão pela dança de salão, pelo teatro, pela ópera, pela música erudita e pela música popular brasileira.

A transferência de nossa família (o casal, minha irmã e eu) para a capital carioca, em 1971, foi relevante para a construção da minha sensibilidade. Meus pais estavam ávidos por conhecer toda a cultura dessa parte “sul” do país. Eram consumidores de toda arte que o Rio de Janeiro pudesse oferecer. Meu pai trabalhava no centro da capital, na Cinelândia, local da verve política e cultural – do samba ao erudito. A família, unida, ia de bailes de carnaval às temporadas de ópera do Teatro Municipal.

Comecei a frequentar aulas de técnica clássica aos três anos em uma academia de dança sob direção de Jonny Franklin, que, na época, era o diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Paralelamente às aulas de balé, por causa de uma alergia respiratória, fazia natação, atividade que me rendeu três medalhas pelo campeonato infanto-juvenil fluminense de natação.

Estudava em uma escola municipal em frente ao Teatro Tablado, onde assisti a peças de Maria Clara Machado, ainda dirigidas por ela. Morava em frente ao Jardim Botânico, ao lado da Rede Globo de Televisão e perto da loja da editora Ediouro. Na escola, éramos estimulados a ler o boom da literatura infantil: Lygia Bojunga Nunes, Ganymédes José, Dinah Silveira de Queiroz, Vinícius de Morais, Ana Maria Machado, Sylvia Orthof, Marina Colasanti, Ruth Rocha e Roseana Murray.

O trabalho de meu pai levou a família a ser novamente transferida, dessa vez para o Distrito Federal, em 1983. Na capital do país, continuei com as aulas de balé na Academia Norma Lilia e iniciei uma formação de quatro anos de piano junto com a dança moderna e o jazz. Essa apreciação artística e esse treinamento corporal em minha formação infanto-juvenil me levaram a ter uma apreensão multidisciplinar do mundo.

Decidi estudar Letras porque queria ser escritora. Mas mesmo ingressando nessa área na Universidade de Brasília (UnB), em 1990, continuei com a formação de dança, porém não mais em academia, mas na própria universidade, a qual oferecia aulas com os integrantes do grupo Endança e, também, em uma técnica de dança que acabava de chegar a Brasília: o contato improvisação, cujas aulas eram ministradas em um espaço dedicado à pesquisa do movimento, Usina.

Esse espaço foi criado e dirigido por Giovane Aguiar com o objetivo de promover a comunicação, o intercâmbio, a formação de opinião e o aperfeiçoamento para dançarinos, coreógrafos, diretores e profissionais de dança em Brasília. Participei do projeto “Zona aberta ao conhecimento”, o qual professores-artistas estrangeiros ministravam aulas e criavam um produto artístico com os participantes das oficinas.

Cada professor trazia uma peculiaridade do seu fazer artístico. Daniel Lepkoff, estadunidense, utiliza no seu treino, e também no seu trabalho, a improvisação, com a interação ambiente e movimento, criando um diálogo refinado. A partir desse contato, na criação de trabalhos comecei a integrar o espaço com o contexto, a ver como o ambiente se adapta ou se transforma, usando a arquitetura e a natureza locais, chegando a criar três espetáculos em site specif: “Samambaia”, “Tu não te moves de ti” e “Campo de flores”.

Já o trabalho Tuning Scores of Composition, da estadunidense Lisa Nelson, tem como prática afinar o dançarino em cinco sentidos: visão, escuta, toque, cinestesia e intuição para a improvisação em cena. Pela primeira vez apresentei uma improvisação como resultado cênico. Foi no Teatro da Caixa, em Brasília. A cada noite tínhamos um resultado diferente ao mantermos o frescor do movimento criado no instante. Isso foi importante na pesquisa do treinamento do Ações da Fala, pois Lisa pesquisa as formas de improvisar e o olhar, tanto interno quanto externo, os quais são agentes de composição no espaço. Ela aponta:
[…] os olhos não costumam ser usados no sentido de proporcionar significados a partir da luz, mas é assim que os usamos quando dançamos. Há uma constante composição da visão, do olhar, em resposta a um ambiente muito complexo, já que, estando o corpo em movimento, também o está aquilo que o rodeia.

Utilizando o mesmo treino Tuning Scores, Karen Nelson se diferenciava com chamadas verbais durante a improvisação em cena como forma de comunicação entre ambiente e dançarinos. Essa experiência com Karen foi importante porque, a partir dela, desenvolvi “o jogo da fala”, um dos procedimentos do Ações da Fala, treinamento que desenvolvi que gira em torno de dançarfalando.

O espanhol Jordi Cortés Molina, um dos últimos professores dessa fase de intercâmbio do projeto Zona, apresentou seu trabalho desenvolvido fundamentalmente a partir do uso do movimento e da fala. O intercâmbio com Jordi me fez refletir sobre o quanto o poema ou o romance proporcionam diferenciado sentido ao movimento.

No período entre 1991 e 1998, concentrei-me em três focos: a graduação em Letras, o projeto Zona e a formação de quatro anos em contato improvisação, cuja conclusão culminou com pesquisa fundamentada na combinação entre dança e literatura, criando o Ações da Fala. Os procedimentos experimentados nessa técnica particular foram utilizados na performance “A disciplina do amor”.

Depois, continuei a pesquisa em trabalhos independentes, tanto solo quanto em grupo, e, também, como improvisadora, coreógrafa, dançarina ou diretora, utilizando Ações da Fala (2000 a 2010), somando cerca de 30 trabalhos. Colaborei como performer nos trabalhos da artista visual Gisel Carriconde Azevedo, em instalações e intervenções urbanas. A partir dessa entrada nas artes visuais, teve início o meu interesse pela imagem.

Dançar a dança como se é – ser humano que anda, se move, cria posturas e gestos. A busca pela consciência do que se faz, de como se faz o movimento. Nesse pensamento, fui ao encontro da consciência corporal de Angel Vianna, dos conhecimentos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e do Reiki; terapias alternativas que buscam uma visão holística do ser humano, não apenas no plano físico, mas também no emocional, no mental e no espiritual. Com esses conhecimentos, comecei a estudar o corpo não na sua divisão, como quando estudei fisioterapia, mas na sua união de tantas partes, no conjunto de tantos saberes. Posso fazer uma correlação com a dança que se fazia no momento e essa investigação do corpo que a acatava inteiramente, e não como partes separadas de funções distintas.

Quando eu danço o que acontece com os meus órgãos, com a minha respiração? Onde está a minha mente? Sinto raiva, preguiça em realizar aqueles movimentos? E quando estou dançando com outra pessoa, quero sempre liderar ou ser sempre guiada? Estas eram perguntas feitas nas aulas de dança contemporânea, nas de consciência corporal e, principalmente, nas aulas de contato improvisação, uma vez que o foco é o indivíduo dançando em tempo real com outro indivíduo. Quando dançamos, não deixamos as emoções, o espírito no vestiário – tudo vem junto, como diria Ruth Zaporah. É impossível em uma dança não se ater a isso, ou ignorar. Isso me transmitia um apuro de pesquisa, toda aula ou performance, ou sessão de improvisação.

E nessas buscas um dia estava indo consultar um oftalmologista quando fui interceptada no caminho por uma amiga, Shammaa, que ia ao grupo de estudos de Pathwork. – O quê? Eu disse. – Pathwork! Shammaa riu brilhou os olhos e disse: – Vem! O espaço do grupo de estudos se chama “Espaçonave, agência de viagens interiores”, desde 2002, passei pela porta dessa nave e não saio simplesmente por ser minha tarefa essencial – me autoconhecer. Nenhuma viagem terrena se compara ao mergulho nas paisagens internas de cada ser. Morri e nasci várias vezes desde lá, e cada volta na espiral da jornada do autoconhecimento, mais consciência, mais realidade, mais prazer, felicidade, mais abundância e mais felicidade compartida com os entes queridos que aumenta e se qualifica mais e mais. Sou apaixonada por esse Caminho que me acolhe e me aceita do meu jeito exatamente Laura que sou, sinto a maior gratidão possível pela parte que se manteve firme na jornada, sem hesitar que teria mais expansão e que eu era muito mais do que podia imaginar. E toda ajuda e proteção sempre presentes. Ajuda especial da helper Djanira Cavalcante, ser iluminada, querida e especial sustentando toda a energia quando eu urrava em querer continuar com as criações distorcidas, meus amigos do Caminho, Susana, Élvia, Eloíza, Patricia, Guilherme, Osnir e outros tantos que são um cendeiro acalentador para poder compartilhar minha existência com eles, enfim desde 2002, participei de grupos de estudos, oficinas e atendimentos individuais, prece, meditação, revisão diária, leitura de palestras, até a formação como facilitadora. Na formação existia uma vontade de juntar a dança com o Pathwork e o incentivo veio das helpers da formação Inah Maria e Maria Lucia e está deu até a ideia do nome – Pathdance. Há quatro anos venho fazendo experimentações, recebendo guiança e inspirações e em 2012 abri esse trabalho ao publico e vem sendo uma aventura, expansão, alegria e muito prazer estar atuando nessa vereda.

Fui, ainda, cocriadora, com Hilan Bensusan, do Flor de Insensatez, um duo que fazia pequenas artes (2006/2007). Estávamos concentradas em “performar”, escrever, falar poesias de forma simples e ordinária, sem grandes pretensões; ações instantâneas e puras de performance. Realizamos: “Maria Bartleby”; “Blitz performance”; “Rilke na cozinha”; “Distúrbios nas classes”; “Devotos hereges”; “Morte da cena”; “Esses homens de cultura-showvinismo”; “Ballecktt” e “Ocupa desocupado não culpado” – há lentos vestígios de retorno do grupo de pequenas artes.

Fiz uma especialização (2008), com pesquisa em videodança, baseada em textos literários. Um dos objetos foi “De água nem tão doce”, videodança realizada a partir de conto homônimo de Marina Colasanti. Também foi publicado o livro Buquê (2007), com meus escritos-poéticos ilustrados com fotos-colagens da designer Erika Pacheco.

Mas a fim de me aprofundar na pesquisa e de desenvolver o treinamento, iniciei um grupo de dança que trabalhava a encenação com a técnica Ações da Fala: o Margaridas. De 2004 a 2014, produzimos sete espetáculos: “Perto do Coração Selvagem”, “Campo de Flores”, ‘Tu não te moves de ti”, “Rainha”, “Samambaia”, “Buquê’ e “Vidro e Alumínio”. Três videodanças: “Retina”; “Abs 8 – S3 – x0, eixo monumental dos prazeres, saída sorte ” e a série “Pequenas Criaturas”.

Passei o ano de 2011 e 2012 entre Londres, Lisboa e Brasília, realizando com artistas criações em vídeos e intervenções urbanas, daí saiu a série “Pequenas Criaturas” e o segundo dessa série participou da exposição “Installation and Theatricality” da parceira Gisel Carriconde Azevedo em Londres em junho de 2012.

Bem paro por aqui, já que a finalidade deste blog é divulgar a atualidade do que ando criando. Pra uma criatura que dança desde os 3 anos de idade, agora com 44 anos, a vida continua sendo – o maior ensaio que já tive…

2 opiniões sobre “Biografia”

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